O ouvir e contemplar músicas regionais, clássicas e antigas
entremeadas de história é mais do que simplesmente um bom gosto estético, é fazer
uma investigação espiritual da nossa própria genealogia. Independentemente das
diferenças de origem dos compositores de tais músicas, muitas vezes anônimos,
sejam eles judeus, mouriscos ou cristãos, espanhóis ou portugueses, italianos
ou gregos, alemães ou franceses; o homem da atual revolução das órbitas celestes,
homem que perde cada vez mais sua identidade e sentido no mundo, pode encontrar
nas contemplações musicais a genealogia comum que faz dele o homem que possui
uma verdadeira alma, pode encontrar uma genealogia como os judeus a encontram
lendo o Livro das Crônicas.
O homem ocidental, em sua cultura, é cristão, grego, romano,
mas também judeu e árabe. E buscando as delicadezas intuitivas das belas artes
cultivada, pode-se achá-lo até mesmo oriental-asiático. Deixemos, assim, de
lado os termos ocidental e oriental, pois, quanto mais sentimos os traços
herdados de cada cultura, caminhamos para as origens. Sentimos, reconhecemos
tecnicamente as raízes, traçando nossa genealogia de alma humana com a arte musical
até chegarmos ao casal original, adquirindo então fundamento que nos retrate e
nos confidencie quem somos. Autor: Marcelo Luiz Pereira Neto
C.S.Lewis foi um escritor inglês, autor de As Crônicas de Nárnia, amigo de J. R. R. Tolkien. C.S.Lewis se converteu do ateísmo para o cristianismo e se tornou anglicano. Seu amigo Tolkien é conhecido por sua trilogia O Senhor dos Anéis, ele e a sra. Tolkien eram católicos devotos.
Segue abaixo um emblemático pensamento de C.S.Lewis para meditar.
"Para manter esta seção curta o suficientepara ir ao ar, só mencionei os pontos de vista materialista e religioso. Para completar o quadro, tenho de mencionar
o ponto de vista intermediário entre os dois, a chamada filosofia da Força
Vital, ou Evolução Criativa, ou Evolução Emergente, cuja exposição mais
brilhantee arguta encontra-se nas obras
de Bernard Shaw, ao passo que a mais
profunda, nas de Bergson. Seus defensores dizem que as pequenas variações
pelas quais a vida neste planeta "evoluiu" das formas mais simples à
forma humana não ocorreram em virtude do acaso, massim pelo "esforço" e pela "intenção" de
uma Força Vital.Quando fazem tais afirmações, devemos perguntar se,por Força Vital, essas pessoas entendem algo semelhante a uma mente ou não. Se for semelhante, "uma mente que
traz a vida à existência e a conduz à perfeição" não é outra coisa senão
Deus, e seu ponto de vista é idêntico ao religioso. Se não for semelhante,
qual o sentido, então, de dizer que algo sem mente faça um "esforço"
e tenha uma "intenção"? Este argumento me parece fatal para esse
ponto de vista. Uma das razões pelas quais as pessoas julgam a Evolução
Criativa tão atraente é que ela dá o consolo emocional da crença em Deus sem impor
as consequências desagradáveis desta. Quando nos sentimos ótimos e o sol brilha
lá fora, e não queremos acreditar que o universo inteiro se reduz a uma dança
mecânica de átomos, é reconfortante pensar nessa gigantesca e misteriosa Força
evoluindo pelos séculos e nos carregando
em sua crista. Se, por outro lado, queremos fazer algo escuso, a Força Vital,
que não passa de uma força cega, sem moral e sem discernimento, nunca vai nos
atrapalhar como fazia o aborrecido Deus que nos foi ensinado quando éramos
crianças. A Força Vital é como um deus domesticado. Você pode tirá-lo de dentro
da caixa sempre que quiser, mas ele não vai incomodá-loem ocasião alguma — todas as coisas boas da religião semcusto
nenhum. Não será a Força Vital a maior invenção da fantasia humana que o mundo
jamais viu?"
O documentário do link abaixo leva o ouvinte a entender o objetivo de Dostoievski e sua obra, trazendo à tona os meandros filosóficos abordados pelo autor. Clique no link abaixo: http://www.youtube.com/watch?v=7KI5QkzOOn0
Se há uma palavra que pode ser usada para definir a força espiritual e moral que sustenta a vida e a obra de Fiódor Dostoiévski, é a palavra graça. E graça aqui não é um mero substantivo, é a plena manifestação de Jesus Cristo Senhor na vida pessoal do escritor em sua fé Ortodoxa.
Dostoiévski é um guia que leva os miseráveis à salvação. Nele tudo pode ruir, declinar, tanto em sua vida pessoal quanto na de seus personagens. Permanecem, no entanto, nele, inabaláveis, as virtudes teologais. A Fé, a Esperança e a Caridade. Ele pode ter sido um viciado em jogos. Pode ter sido um falido e condenado em muitos momentos de sua vida. Os personagens de seus livros refletem as tragédias e multiplicam-na. Cometem erros a mais, assassínios, roubos, luxúrias. Mas a Luz destaca-se e brilha nas trevas. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça.”
No filme “Os Demônios de São Petersburgo” que retrata períodos da vida do escritor, vemos esta graça manifesta no exemplo de atitude cristã de Dostoiévski. Ali, como em seus livros, o romancista mostra as consequências das decisões filosóficas na ação resultante de quem as tomou. Isto é algo sutil, mas que perpassa obra e vida do escritor. Por exemplo, ele sempre mostra que o niilismo e o ateísmo levam a destruição moral e à tragédia existencial. E também, que só a vida cristã autênticapode salvar, pelo exemplo e pela ação, a outrem e a si mesmo; o que é muito nítido em Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazovi.
Isto é demonstrado no filme, numa cena em que ele, já mais velho, tenta convencer estudantes revolucionários que não será através de sangue derramado que teremos uma sociedade renovada e justa. Ele conta a eles sua experiência de 10 anos na prisão da Sibéria e como foi rejeitado por ser intelectual, só vindo a convencer os seus camaradas de prisão (na maioria analfabetos) através do exemplo, quando salva da morte um dos seu maiores perseguidores e a partir daí passa a ser respeitado dentro da prisão. Uma cena belíssima que será melhor compreendida ao ser assistida.
A Graça manifesta-se novamente em sua vida ao conhecer sua futura esposa Anna Grigorievna.
Quando nos aprofundamos mais na obra e na vida de Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, compreendemos melhor o que está escrito nas escrituras:
“Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido” São Mateus cap.18, vers. 11.
"Lá donde Antonio vem é longe que só a gota. Longe que só a gota no tempo, que é muito mais longe que só a gota do que longe que só a gota no espaço. Porque, vir de longe no espaço é lonjura besta, que qualquer bicho falado derrota. Agora vir de longe, no tempo, é lonjura cabulosa. Lonjura, que prá ficar desimpossível, demora. Lá no tempo de Antonio, o mundo já tinha virado uma doidice. Mas prá se entender direitinho a história da doidice desse tempo, há de se começar do começo, bilhões de anos atrás, quando o mundo foi criado. Tudo era uma seca só, num tinha terra, num tinha céu, num tinha bicho, num tinha gente, num tinha nada. Era só o breu. Aí, Deus foi ficando meio enjoado e decidiu criar o mundo. E pensou assim: 'Vê que besteira minha, por que é que há de ficar tudo sem nada, se eu posso inventar o que eu quiser?' E saiu inventando! Primeiro Deus inventou o tempo, que era prá ter tempo de inventar o resto. Em seguida inventou o céu, que era pra ter onde morar. E como o céu tem que ficar em cima de alguma coisa, Deus inventou a Terra prá botar por debaixo. E aí Deus pensou: 'A Terra vai ficar assim, só com o céu em cima e sem ficar com nada por baixo não é?' E aí ele pegou o inferno e botou debaixo da Terra. No começo, a terra só servia prá isso: prá ficar embaixo do céu e em cima do inferno. Foi então que Deus disse: 'Oxente, já que tem a Terra, eu tenho que botar gente pra morar lá' E foi assim que ele criou a vida! E no que ele criou a vida já criou a morte junto pois tudo que é vivo morre. 'Danosse!' Deus pensou na hora. 'Se todo ser vivo tem nariz, boca, orelha e olho, tem que ter uma serventia pra isso tudo!' Os olhos e o nariz já tinha as dele: os olhos eram prá olharem pro céu, e o nariz prá pessoa respirar enquanto viva, prá parar de respirar, prá poder morrer em paz. Mas carecia arranjar uma utilidade prá boca e prás orelha. E não foi por isso que Deus fez o verbo? Verbo era como Deus chamava as palavra. E Deus haja inventar palavra. 'Montanha, rio, riacho, elefante, jumento, capim, abacate, saputi, laranja cravo.' Mas, como prá cada palavra tinha que ter uma coisa, Deus teve que inventar um monte de coisa, pra ficar uma coisa pra cada palavra. Abacate, saputi, laranja-cravo, capim, elefante, jumento, montanha, rio, riacho. E os homem acharam pouco, e se botaram a inventar mais coisa ainda! Ihh... prego, parafuso, munguzá, picolé... Desde o começo do mundo até o tempo de Antonio, muita palavra se inventou, muita coisa aconteceu, muito tempo teve que passar até chegar o dia do tempo dele. Mas o tempo de Antonio, assim conhecido desse jeito, o tempo de Antonio, como foi chamado esse tempo, o tempo de Antonio começou no dia em que Antonio veio ao mundo".
Teve as primeiras aulas de música como coralista de catedral. Enviado a Roma (1565) por Filipe II, a fim de se preparar para o sacerdócio no Collegium Germanicum, estudou com Palestrina, a quem sucedeu na direção musical do Seminário Romano (1573). Assumiu (1578) como assistente de são Filipe Nericomo capelão na igreja de San Girolamo della Carità e, mais tarde, passou ao serviço da imperatriz Maria, viúva de Maximiliano II da Alemanha. Entrou para oconvento de las Descalzas Reales, em Madri (1584), onde se tornou mestre de capela e organista (1594) e ficaria até sua morte.